Sempre vi o ego inflado pela aparência física algo ruim e com o tempo e o trabalho com o meio gay vi que isso ao longo do tempo vem piorando e atingindo não só quem tem aparênciasica "privilegiada" mas principalmente os que não tem e mais ainda os que dificilmente vão ter.Não condeno a busca por um porte físico bonito ou uma boa aparência, isso conta sim, não só na busca por um par amoroso mas na busca por um emprego e até no fato de você se dar bem ou não nele.
Mas no meio gay a busca por um parceiro mais bonito(baseando-se claro nas belezas artificiais dos gogoboys ou de modeletes concorrentes de Mr Gay) do que estamos pegando no momento ou mesmo a "responsabilidade" de mostrar um parceiro que nossos amigos também achem bonito o suficiente pra nós também nos torna presos aos padrôes de beleza impostos pela mídia e nos esquecemos que somos seres normais que não vivemos de nossa beleza externa ou pelo menos o mais saudável é não viver dela, esse lado normal é justamente a parte que estamos perdendo cada vez mais, nos tornando maquinas sexuais procurando algo que esta longe da realidade "humana" e mais proximo de um show de corpos em sua maioria sem cerebro ou com assuntos que giram em torno de ser popular, estar com pessoas ricas e influentes, academia, anabolizantes, bla bla bla...
Costumo dizer brincando com meus amigos algo que vejo acabar virando a realidade de muitos, nessa brincadeira sexual da busca incessante pelo melhor parceiro nos deixou demasiadamente intolerantes com os defeitos alheiros, não vemos mais os defeitos como algo bom a ser melhorado, mas como algo a ser intolerado e pulando pro próximo e assim aquele velho ditado que ja ouvi pencas de vezes se repete, "solteiro sim sozinho jamais", afinal pra que conviver com defeitos se o proximo que pegarmos provavelmente não vai ter o defeito do anterior? E o próximo, e o próximo, e por ae vai até que a idade chega, viramos "mariconas" e finalmente queremos "amar" ... kkk
Ok, vamos considerar que uma pessoa X é uma pessoa "normal" mas quer ser "melhor"... no processo de melhoria ela percebe que ser "melhor" traz pra ela muitos benefícios(mais amigos, mais parceiros sexuais, mais vantagens nos ambientes que frequenta como vips e entradas pro camarote), como diria vovó... "quem é que não vicia no que é bom?"... mas ae me pergunto até onde tudo isso é bom de fato? Afinal de contas quando mais pontos temos pra escolher mais confusos nós ficamos e consequentemente acabamos por não fazer as escolhas corretas.
Mas vamos direto ao ponto, somos gays e somos homens, no reino animal o sexo masculino é o lado que pode se reproduzir o tempo todo enquanto a fêmea só pode engravidar uma vez por mês o que nos torna biologicamente falando maquinas de sexo e a fêmea uma incubadora (rs), mas como humanos temos a possibilidade de pensar e ver o que é a melhor pra nós e não sei se quando nos deixamos levar pela cabeça debaixo estamos fazendo uma boa escolha.
O que vejo no meio gay é que estamos nos denegrindo cada vez mais sexualmente e sentimentalmente... e quando olho as paradas gays, pelo menos as com mais de 200mil pessoas(em média)... não vejo uma real parada pelo respeito ao ser humano gay, mas sim ao sexo gay... queremos impor uma cultura sexual e sentimental pela qual não trabalhamos pra melhorar, pelo menos a maioria não, principalmente nas grandes capitais onde o excesso de oferta sexual e a falta de tempo pra uma dedicação mais "de perto" nos faz usar o famoso sexo "a la carte" (vide o grande sucesso de sites como Manhunt e Disponivel) onde a procura é tão grande que se consegue vender assinaturas mensais por menos de dez reais, não critico que tenha pois eu mesmo ja fiz uso desses serviços, mas a alguns anos resolvi cancelar meu perfil. Resolvi me dar um pouco mais de respeito e tentar coisas mais saudáveis e duradoras, mesmo que isso me custasse ficar sem sexo por um longo periodo de tempo.
Recentemente achei uma revista em casa que tinha uma entrevista com o empresário André Almada da The Week onde ele fala que os gays devem se dar mais ao respeito e achei muito bacana algo assim ser falado numa entrevista de uma pessoa com influência no meio gls.
Na última parada gay nenhuma casa gls colocou carro de som claro que os motivos foram financeiros mas acho que se fossem claramente motivos como o 'não encorajamento de algo que denigre toda a classe gay em meio a avenida mais importante do brasil' seria muito interessante e até um motivo pra parabenizar tais casas!
O fato é que vejo o meio glbt como um grande e gigantesco Titanic com vários problemas e tendendo a um grande naufrágio porem onde cada um tem que pegar dua propria boia e pular, não no sentido de sair fora mas sim se mudar atitudes evitar lugares, coisas e atitudes que nos tornam pessoas mais fora ainda da realidade social que já se arrasta por séculos, a parte de gostar do mesmo sexo já não é problema o suficiente?
Trabalhar com público gay me deixa muito contente e ao mesmo tempo triste de ver o caminho que estamos traçando. Uma das maiores dificuldades é estar junto de tudo e ao mesmo tempo o máximo possível fora de tudo.
Me chamem de trouxa ou idiota mas já cheguei a chorar vendo certas coisas até se transformarem rotineiras, creio que deva ser assim numa faculdade de medicina quando se começa a estudar anatomia em copos humanos ou vendo pessoas morrer, são coisas que não quero que aconteça comigo mas que ja me acostumei a ver acontecendo com os outros.
Quando o ego se submete ao instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes, torna-se imoral e destrutivo; ao se submeter ao superego, enlouquece de desespero, pois viverá numa insatisfação insuportável; se não se submeter ao mundo, será destruído por ele. (FONTE: Wikipedia)
Assino embaixo!
ResponderExcluirÓtimo texto! Infelizmente se caminha para um estado de ilusão e frases repetidas por diversas vezes como se fossem verdade.
Atualmente, as aparências se sobrepõe a pessoa, tendo em si a falsa idéia do sozinho nunca. Mas, na verdade quando não há envolvimento, por mais que pareça estar acompanhado, a solidão se grita por dentro.
A busca pelo sexo e a falsa sensação de prazer, as drogas que buscam intensificar a alegria, a imagem distorcida que expomos, tudo isso acaba sendo o resultado de uma fuga pela realidade. Para onde vamos? Titanic ou não? Somente os anos vividos poderão dizer, afinal, ninguém ficará jovem para sempre e o próprio corpo possui limites e tende a se degradar com o tempo de acordo com a forma que o utilizamos. E, se a beleza for só externa, como fica o resto???
Um abraço
e uma ótima semana.
Marcio Hoffmann
Arte da Tribo Produções